VOCÊ NÃO SABE O QUE É CONSCIÊNCIA
Ivan Ferretti Machado
Ano passado encontrei-me com o Tião Budega, ali na 25 de Março, região central de São Paulo. Fazia um calor de mais ou menos uns 30º, e o Tião estava parado próximo a uma banca de jornal com o seu isopor vendendo refri e cerveja. O Tião é um alemãozinho encruado, de mais ou menos 40 anos, sossegado como ele só. Dizem os amigos que uma vez o deixaram tomando conta de duas tartarugas, e por incrível que pareça uma fugiu e a outra morreu de tédio. Perguntei ao Tiãozinho como é que estava a vida, e ele naquele sossego todo, me olhou mansamente e depois de alguns segundos respondeu que estava tudo mais ou menos bem.
----Ué, mas por que mais ou menos bem? --Perguntei
----Ah rapaz... Dias destes tive um prejuízo danado. Perdi toda a minha mercadoria!
----Não Brinca Tião! Foi o rapa?
----Que nada, foi um pessoal ali no Anhangabaú!
----Mas como aconteceu? Te roubaram na cara larga?
Nesse momento fomos interrompidos por um rapaz que pediu um refrigerante. O Tiãozinho atendeu o cliente e continuou a conversa.
----Pois então rapaz! Foi no feriado da Consciência Negra!
----Na semana passada, então? --Indaguei.
----Isso mesmo! Na semana passada! --Confirmou ele.
----E o que você estava fazendo ali pelos lados do Anhangabaú! Ali só tem nóia, boiola e prostituta!
----Eu sei, mas é que teve a festa da Consciência Negra, e eu fui até lá dá um trampo...
Parou novamente para atender a uma senhora, que perguntou como fazia para se chegar até a Galeria Pagé. Dava até sono de ver ele dando explicação. Meu Deus do céu como podia ser tão sossegado daquele jeito.
Diziam, os mesmos amigos, que o Tião pra morrer de repente levaria umas duas semanas.
Depois de ter explicado pra coitada da mulher, que se tivesse saco, teria ficado com ele cheio, retornou a conversa.
----Ai eu cheguei lá no Anhangabaú mais ou menos às duas horas da tarde, e já estava lotado. E logicamente, dia da consciência negra, tinha uma negraiada danada lá. E eu ali com o meu carrinho de isopor carregado até a boca de cerveja, pensei comigo: --Hoje eu lavo a égua!
----E tava um calorão danado no feriado, né! --Comentei com ele.
----Tava! E por isso mesmo eu achei que ia vender cerveja pra caramba ali no meio daquele mundaréu de gente. E eu rapaz, cai na besteira de entrar bem lá no meião, onde tava uma muvuca danada, e foi ai que aconteceu a merda.
----Não brinca Tião! --Interrompi já imaginando mais ou menos o que havia acontecido.
----Eu só sei que começou a juntar de gente em volta do carrinho, e eu muito besta pensei que eles queriam comprar. Que nada... Viraram o meu carrinho de pernas pro ar, e foi cerveja que voou pra tudo quanto era lado.
Rapaz eu só sei que se formou um salseiro danado, me roubaram toda a cerveja e a única coisa que eu consegui salvar foi o carrinho, pois o isopor eles arrebentaram tudo.
----Puxa vida Tião! Mais que zica da porra heim! --Comentei penalizado com a situação dele.
----Zica? Põe zica nisso! E vou te dizer mais uma coisa! O dia era da Consciência Negra, mas aqueles negrão ali... Não tinham consciência nenhuma!
Controlei-me ao máximo pra não me estourar de rir, pois seria muito engraçado se não tivesse sido tão trágico. Pelo menos para o Tião Budega, coitado.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
* É A CARA DO PAI
É A CARA DO PAI
Ivan Ferretti Machado
Eu não sei de onde a Tia Nenê sacou aquela tirada. Eu só sei que tem neguinho dando risada até agora. Quem não gostou muito foi o Alexandre, que na hora, deu aquela risadinha amarela e depois fechou a cara.
O fato desenrolou-se no último domingo na casa da Tia Regina. A família ali toda reunida, comemorando o aniversário do Tio Pinga, que alias já fazia quase dez anos que vinha prometendo uma bendita churrascada, mas infelizmente durante esse tempo todo ficou só na promessa. Todavia agora ele resolveu tirar o cadeado do bolso e bancou o tão prometido boi na brasa.
E como eu havia comentado lá no começo da história, a família estava toda ali reunida, inclusive o Alexandre da Tia Fia, papai fresco, a criança nasceu há aproximadamente dois meses e ele estilo paizão coruja não parava um segundo de lamber a criança. E logicamente a família toda babando em cima do pequerrucho. Até que a certa altura o Alexandre se achou ser a última bolachinha do pacote quando alguém comentou que a criança era linda, e ele complementou dizendo:
---- È a cara do pai.
Foi ai, então, que a Tia Nenê gritou lá do fundo:
----Larga mão de ser besta! Não fica pondo complexo na criança!
Tem neguinho dando risada até agora.
Ivan Ferretti Machado
Eu não sei de onde a Tia Nenê sacou aquela tirada. Eu só sei que tem neguinho dando risada até agora. Quem não gostou muito foi o Alexandre, que na hora, deu aquela risadinha amarela e depois fechou a cara.
O fato desenrolou-se no último domingo na casa da Tia Regina. A família ali toda reunida, comemorando o aniversário do Tio Pinga, que alias já fazia quase dez anos que vinha prometendo uma bendita churrascada, mas infelizmente durante esse tempo todo ficou só na promessa. Todavia agora ele resolveu tirar o cadeado do bolso e bancou o tão prometido boi na brasa.
E como eu havia comentado lá no começo da história, a família estava toda ali reunida, inclusive o Alexandre da Tia Fia, papai fresco, a criança nasceu há aproximadamente dois meses e ele estilo paizão coruja não parava um segundo de lamber a criança. E logicamente a família toda babando em cima do pequerrucho. Até que a certa altura o Alexandre se achou ser a última bolachinha do pacote quando alguém comentou que a criança era linda, e ele complementou dizendo:
---- È a cara do pai.
Foi ai, então, que a Tia Nenê gritou lá do fundo:
----Larga mão de ser besta! Não fica pondo complexo na criança!
Tem neguinho dando risada até agora.
*NEM DEPOIS DE MORTO
NEM DEPOIS DE MORTO
Ivan Ferretti Machado
Dias destes estávamos em uma rodinha, comentando vários assuntos, quando alguém se pronunciou sobre as injustiças cometidas contra certas pessoas, que só são homenageadas depois que morrem. Todos concordaram com a colocação feita pelo colega.
Realmente as pessoas deveriam ser homenageadas quando ainda vivas. Para que homenagens depois que se está a sete palmos de profundidade. O cara não vai presenciar bulufa alguma. Não vai receber nem um tapinha nas costas, nem vai ler nenhum comentário no recanto das letras feito por algum poeta que admirava o seu trabalho. Então prá que homenagens depois que o cara virou presunto.
O que se tem que fazer que seja feito em vida. Depois de morto eu quero mais é que se ferre a corneta do corneteiro.
Estávamos para bater o martelo, com o parecer unânime de todos sobre esse assunto, quando o Alfredinho, quase 80 anos sobre o esqueleto, "véio" maloqueiro como ele só, que apesar da idade, ainda curte bailes ali no "Carinhoso", "Cartola”, e "Casa do Sargento", salões famosos da paulicéia desvairada, se pronunciou ao contrário. Pedimos então que ele nos esclarecesse o motivo da sua discordância.
O Alfredinho com aquele seu jeitão sossegado, e com aquele sotaque meio italianado, começou a explicar o porquê de não concordar com os demais:
----Suponhamos que de repente, alguém da nossa comunidade, resolva fazer um movimento em prol da aprovação, na câmara dos vereadores, para que a nossa rua receba o nome do padre da nossa paróquia. Até ai tudo bem. O religioso ainda está vivo e o projeto foi aprovado. No dia da festa aparece uma banda tocando uns dobrados, rojões pra tudo quanto é lado e um monte de político querendo se aparecer. O padre sobe lá no palanque faz um discurso, o subprefeito faz outro, arma-se um puta de um auê, ai vai todo mundo dar tapinhas em suas costas e cumprimentá-lo. Certo?
----Certo! --concordamos com o Alfredinho.
----Pois bem... Depois de alguns meses, após essas frescuradas todas, acontece o que? Descobrem que o padre está envolvido com pedofilia! Pronto é jornal, televisão, rádio, internet e mais uma porrada de coisa. Resumindo... É assunto pra mais de mês!... E ai???
----Porra Alfredinho... Sabe que eu não tinha pensado nisso! - Exclamei, com certa surpresa!
----Não, né! Então vou te dar outro exemplo. Tem um monte de vereador ai, puxa-saco que só a porra, que de repente resolve mudar o nome da praça das laranjeiras não sei lá das quantas, de algum lugar qualquer da periferia, só para agradar algum juiz famoso, montado na bufunfa, dando ao logradouro o nome do figurão. E da mesma maneira, que aconteceu com o padre, acontece também com esse juiz. Aquela festança toda, enfeitam o pavão de tudo quanto é jeito, e ai, depois de alguns meses descobrem que o safado está envolvido com um monte de coisas erradas. Já pensou que baita desconforto; morar em uma praça onde a pessoa que lhe emprestou o nome é na verdade um puta de um salafrário!
E realmente, no final, todos acabaram por concordar com o Alfredinho. È melhor esperar o cara morrer para se ter a certeza que ele não vai
aprontar nenhuma cagada depois de homenageado.
O Joel, após concordar com o Alfredinho, brincou com ele:
----Nós estávamos pensando em por o seu nome aqui na nossa rua, mas pensando bem é melhor esperar você morrer primeiro. Vai que a gente faz uma tremenda de uma festa em sua homenagem, e depois de alguns meses pegam você dando o rabo ai pra alguém! Já pensou que mancada?
----Ehhh! Sai prá lá! Aqui não, meu! -- Esbravejou o Alfredinho.
----Sei lá! Dizem que o tesão nunca acaba, ele só muda de lugar!
----È, mais aqui não vai mudar não! Pode tirar o seu Cavalinho da chuva! Aqui... Meu filho... Nem depois de morto!
Depois de muita risada, mudamos de assunto e continuamos a conversa.
Ivan Ferretti Machado
Dias destes estávamos em uma rodinha, comentando vários assuntos, quando alguém se pronunciou sobre as injustiças cometidas contra certas pessoas, que só são homenageadas depois que morrem. Todos concordaram com a colocação feita pelo colega.
Realmente as pessoas deveriam ser homenageadas quando ainda vivas. Para que homenagens depois que se está a sete palmos de profundidade. O cara não vai presenciar bulufa alguma. Não vai receber nem um tapinha nas costas, nem vai ler nenhum comentário no recanto das letras feito por algum poeta que admirava o seu trabalho. Então prá que homenagens depois que o cara virou presunto.
O que se tem que fazer que seja feito em vida. Depois de morto eu quero mais é que se ferre a corneta do corneteiro.
Estávamos para bater o martelo, com o parecer unânime de todos sobre esse assunto, quando o Alfredinho, quase 80 anos sobre o esqueleto, "véio" maloqueiro como ele só, que apesar da idade, ainda curte bailes ali no "Carinhoso", "Cartola”, e "Casa do Sargento", salões famosos da paulicéia desvairada, se pronunciou ao contrário. Pedimos então que ele nos esclarecesse o motivo da sua discordância.
O Alfredinho com aquele seu jeitão sossegado, e com aquele sotaque meio italianado, começou a explicar o porquê de não concordar com os demais:
----Suponhamos que de repente, alguém da nossa comunidade, resolva fazer um movimento em prol da aprovação, na câmara dos vereadores, para que a nossa rua receba o nome do padre da nossa paróquia. Até ai tudo bem. O religioso ainda está vivo e o projeto foi aprovado. No dia da festa aparece uma banda tocando uns dobrados, rojões pra tudo quanto é lado e um monte de político querendo se aparecer. O padre sobe lá no palanque faz um discurso, o subprefeito faz outro, arma-se um puta de um auê, ai vai todo mundo dar tapinhas em suas costas e cumprimentá-lo. Certo?
----Certo! --concordamos com o Alfredinho.
----Pois bem... Depois de alguns meses, após essas frescuradas todas, acontece o que? Descobrem que o padre está envolvido com pedofilia! Pronto é jornal, televisão, rádio, internet e mais uma porrada de coisa. Resumindo... É assunto pra mais de mês!... E ai???
----Porra Alfredinho... Sabe que eu não tinha pensado nisso! - Exclamei, com certa surpresa!
----Não, né! Então vou te dar outro exemplo. Tem um monte de vereador ai, puxa-saco que só a porra, que de repente resolve mudar o nome da praça das laranjeiras não sei lá das quantas, de algum lugar qualquer da periferia, só para agradar algum juiz famoso, montado na bufunfa, dando ao logradouro o nome do figurão. E da mesma maneira, que aconteceu com o padre, acontece também com esse juiz. Aquela festança toda, enfeitam o pavão de tudo quanto é jeito, e ai, depois de alguns meses descobrem que o safado está envolvido com um monte de coisas erradas. Já pensou que baita desconforto; morar em uma praça onde a pessoa que lhe emprestou o nome é na verdade um puta de um salafrário!
E realmente, no final, todos acabaram por concordar com o Alfredinho. È melhor esperar o cara morrer para se ter a certeza que ele não vai
aprontar nenhuma cagada depois de homenageado.
O Joel, após concordar com o Alfredinho, brincou com ele:
----Nós estávamos pensando em por o seu nome aqui na nossa rua, mas pensando bem é melhor esperar você morrer primeiro. Vai que a gente faz uma tremenda de uma festa em sua homenagem, e depois de alguns meses pegam você dando o rabo ai pra alguém! Já pensou que mancada?
----Ehhh! Sai prá lá! Aqui não, meu! -- Esbravejou o Alfredinho.
----Sei lá! Dizem que o tesão nunca acaba, ele só muda de lugar!
----È, mais aqui não vai mudar não! Pode tirar o seu Cavalinho da chuva! Aqui... Meu filho... Nem depois de morto!
Depois de muita risada, mudamos de assunto e continuamos a conversa.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
* O ESPIRRO FATAL
O ESPIRRO FATAL
Ivan Ferretti Machado
Ivan Ferretti Machado
Na minha época, há muitos anos, e já faz anos para caramba, estudávamos até o quarto ano primário, conhecido atualmente pelo apelido de quarta série do fundamental I, e já recebíamos um diploma. A maioria parava por ai mesmo e zéfini. Um ou outro seguia em frente e se formava no ginásio, quando, então, recebiam um outro diploma que era o da oitava série ginasial, e pronto, o cara já era considerado um doutor.
Pois bem esse caso que conto agora, ocorreu exatamente com os alunos do quarto ano primário.
Quase no fim do segundo semestre, a professora Terezinha adoeceu, e mandaram uma outra professorinha para substituí-la. Uma jovem, muito bonita por sinal, aparentando ter mais ou menos uns 19 anos. Já no primeiro dia, a professorinha começou com uma espirração danada dentro da sala de aula, que não acabava mais. A pobrezinha era alérgica a aquele terrível pozinho produzido pelo bastão de giz. E toda vez que ela espirrava, pronto, era aquela zoeira. A sala, a um só coro, berrava saúde para ela. Era mais pela tiração de sarro, que pela educação.
Passou-se quase uma semana com aquela farra-do-boi abestaiada. Era só a professora espirrar e a sala se transformava num verdadeiro salseiro. Até que ela, ao perceber que já estava virando
bagunça, resolveu por um ponto final naquilo. Explicou a todos que ela era alérgica ao pó de giz, e que por isso não seria mais necessário gritar saúde toda vez que ela espirra-se. Só que, justo
neste dia, o Robertinho, que sentava lá fundo, faltou à aula, e consequentemente não ficou sabendo do comunicado que a professorinha havia passado.
Tudo bem, no outro dia o Robertinho apareceu, e assim que tocou o sinal, todos os alunos formaram a fila e entraram para a sala de aula, acompanhados da professora. Assim que ela terminou de fazer a chamada, corrigiu os deveres de casa, e dirigiu-se a lousa para passar a lição do dia. Pronto... Foi só ela começar a escrever, e não passou quase nada, já deu um tremendo de um espirro. Todos já sabiam que não era mais para gritar saúde, e por isso cada um ficou na sua, menos o pobre do Robertinho que havia faltado no dia anterior, e lá do fundo, educadamente, berrou:
----Foda-se!!!
Pois bem esse caso que conto agora, ocorreu exatamente com os alunos do quarto ano primário.
Quase no fim do segundo semestre, a professora Terezinha adoeceu, e mandaram uma outra professorinha para substituí-la. Uma jovem, muito bonita por sinal, aparentando ter mais ou menos uns 19 anos. Já no primeiro dia, a professorinha começou com uma espirração danada dentro da sala de aula, que não acabava mais. A pobrezinha era alérgica a aquele terrível pozinho produzido pelo bastão de giz. E toda vez que ela espirrava, pronto, era aquela zoeira. A sala, a um só coro, berrava saúde para ela. Era mais pela tiração de sarro, que pela educação.
Passou-se quase uma semana com aquela farra-do-boi abestaiada. Era só a professora espirrar e a sala se transformava num verdadeiro salseiro. Até que ela, ao perceber que já estava virando
bagunça, resolveu por um ponto final naquilo. Explicou a todos que ela era alérgica ao pó de giz, e que por isso não seria mais necessário gritar saúde toda vez que ela espirra-se. Só que, justo
neste dia, o Robertinho, que sentava lá fundo, faltou à aula, e consequentemente não ficou sabendo do comunicado que a professorinha havia passado.
Tudo bem, no outro dia o Robertinho apareceu, e assim que tocou o sinal, todos os alunos formaram a fila e entraram para a sala de aula, acompanhados da professora. Assim que ela terminou de fazer a chamada, corrigiu os deveres de casa, e dirigiu-se a lousa para passar a lição do dia. Pronto... Foi só ela começar a escrever, e não passou quase nada, já deu um tremendo de um espirro. Todos já sabiam que não era mais para gritar saúde, e por isso cada um ficou na sua, menos o pobre do Robertinho que havia faltado no dia anterior, e lá do fundo, educadamente, berrou:
----Foda-se!!!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
* OLHAR MISTERIOSO
Olhar misterioso
Ivan Ferretti Machado
Esse caso quem gostava muito de contar era meu finado pai. Que Deus o tenha em bom lugar.
Aconteceu ali pelos lados de Mococa, interior de São Paulo, na Fazenda Amália. È do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça. O ano deveria ser mais ou menos 1950.
O compadre Zé Gregório vinha vindo da cidade, já com umas cachaça na moringa, altas horas, beirando quase meia-noite. E naquela época as pessoas do interior tinham uma mania danada de ver assombração. Era alma penada, mula sem cabeça, Saci-Pererê, corpo seco, caixão de defunto, lobisomem e mais um montão de coisas que quando se juntavam pra contar varavam a noite. E juravam de pés juntos que era tudo verdade.
Pois bem, a certa altura do caminho, numa estradinha de terra batida, uma escuridão danada, pois naquele tempo, pelo menos ali, não existia ainda luz elétrica, era tudo na base da lamparina, e o compadre Zé Gregório, que por sinal era um baita de um cagão, e morria de medo de assombração, vinha a passos apressados para chegar logo em casa, ali na fazenda Amália.
De repente ele avistou lá longe um par de zóio, parecendo duas brasas que vinham voando em sua direção. E aquilo foi se aproximando e aumentando cada vez mais de tamanho, iluminando tudo a sua volta, deixando, a certa altura, o Compadre Zé Gregório completamente às cegas com aquele clarão que lhe bateu em cheio na cara.
O compadre não pensou duas vezes, desembalou pelo meio do mato, numa carreira doida, arrebentando tudo que era galho que encontrava pela frente. Só parou quando chegou na sede da fazenda, gritando feito um doido, todo mijado e com a cara e braços todo arranhado, resultado da carreira doida que dera pelo meio do mato.
E é lógico, com aquele barulhão todo que fez, acabou acordando todo mundo ali na fazenda, que vieram correndo ver o que estava acontecendo. O coitado do Compadre Zé Gregório mal conseguia falar. A muito custo conseguiu explicar o que havia acontecido.
----Eu vinha vindo ali pela estrada e, quando cheguei perto do açude, dei de cara com um bicho com dois zoião deste tamanho que pareciam duas enormes brasas. O bicho veio pra cima de mim rosnando feito um doido, e se eu não corro pro meio do mato não estaria aqui agora contando esta história.
O compadre Tuniquinho ao ouvir aquilo caiu na gargalhada.
----Larga mão de ser besta cumpadre! Que bicho que nada! O que o senhor viu foi um oitonóvel!
O compadre Zé Gregório retrucou na hora:
----Que oito ou nove... eram só dois zóio!
Coitado do compadre Zé Gregório! Nunca tinha visto um automóvel em toda a sua vida!
Ivan Ferretti Machado
Esse caso quem gostava muito de contar era meu finado pai. Que Deus o tenha em bom lugar.
Aconteceu ali pelos lados de Mococa, interior de São Paulo, na Fazenda Amália. È do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça. O ano deveria ser mais ou menos 1950.
O compadre Zé Gregório vinha vindo da cidade, já com umas cachaça na moringa, altas horas, beirando quase meia-noite. E naquela época as pessoas do interior tinham uma mania danada de ver assombração. Era alma penada, mula sem cabeça, Saci-Pererê, corpo seco, caixão de defunto, lobisomem e mais um montão de coisas que quando se juntavam pra contar varavam a noite. E juravam de pés juntos que era tudo verdade.
Pois bem, a certa altura do caminho, numa estradinha de terra batida, uma escuridão danada, pois naquele tempo, pelo menos ali, não existia ainda luz elétrica, era tudo na base da lamparina, e o compadre Zé Gregório, que por sinal era um baita de um cagão, e morria de medo de assombração, vinha a passos apressados para chegar logo em casa, ali na fazenda Amália.
De repente ele avistou lá longe um par de zóio, parecendo duas brasas que vinham voando em sua direção. E aquilo foi se aproximando e aumentando cada vez mais de tamanho, iluminando tudo a sua volta, deixando, a certa altura, o Compadre Zé Gregório completamente às cegas com aquele clarão que lhe bateu em cheio na cara.
O compadre não pensou duas vezes, desembalou pelo meio do mato, numa carreira doida, arrebentando tudo que era galho que encontrava pela frente. Só parou quando chegou na sede da fazenda, gritando feito um doido, todo mijado e com a cara e braços todo arranhado, resultado da carreira doida que dera pelo meio do mato.
E é lógico, com aquele barulhão todo que fez, acabou acordando todo mundo ali na fazenda, que vieram correndo ver o que estava acontecendo. O coitado do Compadre Zé Gregório mal conseguia falar. A muito custo conseguiu explicar o que havia acontecido.
----Eu vinha vindo ali pela estrada e, quando cheguei perto do açude, dei de cara com um bicho com dois zoião deste tamanho que pareciam duas enormes brasas. O bicho veio pra cima de mim rosnando feito um doido, e se eu não corro pro meio do mato não estaria aqui agora contando esta história.
O compadre Tuniquinho ao ouvir aquilo caiu na gargalhada.
----Larga mão de ser besta cumpadre! Que bicho que nada! O que o senhor viu foi um oitonóvel!
O compadre Zé Gregório retrucou na hora:
----Que oito ou nove... eram só dois zóio!
Coitado do compadre Zé Gregório! Nunca tinha visto um automóvel em toda a sua vida!
domingo, 27 de junho de 2010
* A BESTA FERA DO SERTÃO
A besta fera do sertão
Ivan Ferretti Machado
Esse caso aconteceu há muitos anos atrás, em uma cidadezinha brasileira, encravada ali pelo sertão nordestino. E devido à quantidade de anos que já se passaram, não consigo recordar-me claramente do nome da cidade e nem os nomes das pessoas. Todavia isso não vem ao caso porque também não sou muito de dar nomes verdadeiros aos
personagens das minhas histórias.
Existia nesse lugar, um tal de Coronel Malaquias,
dono de uma enorme extensão de terra ali naquela região. E tudo começou a ficar meio complicado para esse tal de Coronel Malaquias, quando o progresso começou a chegar por aquelas bandas. Por seu azar uma estrada de ferro foi construída por ali e dividiu as suas terras ao meio. A princípio ele até gostou, pois com certeza iria valorizar as suas terras. Só que com o passar do tempo começaram a surgir os problemas. Toda vez que o trem passava, morria atropelado de dois a três animais do seu rebanho.
----Desse jeito eu tô ferrado! Cada vez que o trem passa ele mata os meus bichos!--Reclamou o coronel com o seu capataz.
----E hoje cedo morreram mais dois! --Explicou-lhe o capataz.
----Puta que pariu! Não tô dizendo! A gente tem que dar um jeito!
----Ué! Mas fazer o quê coronel? Amarrar eles na hora que o trem passar não dá! Tem mais de trezentas cabeças de gado!
----Eu sei que não dá! Não precisa me dizer isso por que eu não sou burro não. Nós vamos fazer o seguinte; me contrata um cabra, que seja
de pouca paga, prá ficar ali tomando conta do rebanho quando o trem passar.
----È... pode ser que de certo, coronel! É só ele ficar de olho e não deixar o rebanho ficar muito perto dos trilhos do trem. -- concordou o capataz.
E sendo assim, no mesmo dia, arrumaram um cabra prá tomar conta
do rebanho quando o trem passasse. Um tal de Zeca Zarolho. Um pobre
coitado do "zóio" tudo torto, feio que dava dó. Daqueles cabras bem
chucro mesmo, completamente analfabeto e que não sabia nem mesmo
conversar direito. E o pior de tudo; nunca tinha visto um trem em toda
a sua vida.
E lá foi o pobre diabo cumprir a sua missão. Apenas explicaram prá ele
que era pra tomar conta do rebanho quando o trem passasse. E o
descambelhado ficou ali matutando consigo mesmo, que diacho de
bicho era aquele que já havia matado mais de vinte animais. Segurou
firme a espingarda, correu os olhos pelo descampado e murmurou:
----Cruz credo! Que Deus me proteja desse bicho! Num quero nem
saber... se o lazarento aparecer por aqui eu prego fogo!
E tava ele ali pensando com seus botões, quando ouviu lá longe um apito
meio estranho. E aquilo foi chegando e aumentando cada vez mais o
barulho. Era o trem que vinha se aproximando. Apitando, soltando
fumaça, e fazendo uma barulheira desgraçada à medida que se
aproximava.
Ah, não deu outra! O coitado do Zeca Zarolho se cagou todo. Largou a
sua espingardinha e saiu numa carreira tão desgraçada, que só parou
quando encontrou o capataz que vinha vindo para verificar se estava
tudo bem.
O coronel quase teve um enfarte. Desta vez morreram seis animais.
----Me chamem esse desgraçado que eu quero falar com ele!-- ordenou o coronel.
Trouxeram o infeliz à presença do coronel.
----Ô seu cabra bexiguento de uma figa! Eu te coloco lá pra tomar conta
do meu rebanho e você abandona o seu posto deixando que seis animais
morressem atropelados! Seu cabra safado... incompetente!
O coitado do homem com os olhos esbugalhados e tremendo, ainda,
feito vara verde tentou se justificar.
----Coronel... se o senhor visse o tamanho do bicho que vinha vindo em
minha direção soltando fumaça pelas ventas, prá tudo quanto era lado,
e urrando feito um demônio abestaiado, com certeza teria feito a
mesma coisa. E te digo mais; a minha sorte é que o bicho vinha vindo de
cumprido, por que se ele vem de atravessado tinha era matado eu com
boiada e tudo!
Ivan Ferretti Machado
Esse caso aconteceu há muitos anos atrás, em uma cidadezinha brasileira, encravada ali pelo sertão nordestino. E devido à quantidade de anos que já se passaram, não consigo recordar-me claramente do nome da cidade e nem os nomes das pessoas. Todavia isso não vem ao caso porque também não sou muito de dar nomes verdadeiros aos
personagens das minhas histórias.
Existia nesse lugar, um tal de Coronel Malaquias,
dono de uma enorme extensão de terra ali naquela região. E tudo começou a ficar meio complicado para esse tal de Coronel Malaquias, quando o progresso começou a chegar por aquelas bandas. Por seu azar uma estrada de ferro foi construída por ali e dividiu as suas terras ao meio. A princípio ele até gostou, pois com certeza iria valorizar as suas terras. Só que com o passar do tempo começaram a surgir os problemas. Toda vez que o trem passava, morria atropelado de dois a três animais do seu rebanho.
----Desse jeito eu tô ferrado! Cada vez que o trem passa ele mata os meus bichos!--Reclamou o coronel com o seu capataz.
----E hoje cedo morreram mais dois! --Explicou-lhe o capataz.
----Puta que pariu! Não tô dizendo! A gente tem que dar um jeito!
----Ué! Mas fazer o quê coronel? Amarrar eles na hora que o trem passar não dá! Tem mais de trezentas cabeças de gado!
----Eu sei que não dá! Não precisa me dizer isso por que eu não sou burro não. Nós vamos fazer o seguinte; me contrata um cabra, que seja
de pouca paga, prá ficar ali tomando conta do rebanho quando o trem passar.
----È... pode ser que de certo, coronel! É só ele ficar de olho e não deixar o rebanho ficar muito perto dos trilhos do trem. -- concordou o capataz.
E sendo assim, no mesmo dia, arrumaram um cabra prá tomar conta
do rebanho quando o trem passasse. Um tal de Zeca Zarolho. Um pobre
coitado do "zóio" tudo torto, feio que dava dó. Daqueles cabras bem
chucro mesmo, completamente analfabeto e que não sabia nem mesmo
conversar direito. E o pior de tudo; nunca tinha visto um trem em toda
a sua vida.
E lá foi o pobre diabo cumprir a sua missão. Apenas explicaram prá ele
que era pra tomar conta do rebanho quando o trem passasse. E o
descambelhado ficou ali matutando consigo mesmo, que diacho de
bicho era aquele que já havia matado mais de vinte animais. Segurou
firme a espingarda, correu os olhos pelo descampado e murmurou:
----Cruz credo! Que Deus me proteja desse bicho! Num quero nem
saber... se o lazarento aparecer por aqui eu prego fogo!
E tava ele ali pensando com seus botões, quando ouviu lá longe um apito
meio estranho. E aquilo foi chegando e aumentando cada vez mais o
barulho. Era o trem que vinha se aproximando. Apitando, soltando
fumaça, e fazendo uma barulheira desgraçada à medida que se
aproximava.
Ah, não deu outra! O coitado do Zeca Zarolho se cagou todo. Largou a
sua espingardinha e saiu numa carreira tão desgraçada, que só parou
quando encontrou o capataz que vinha vindo para verificar se estava
tudo bem.
O coronel quase teve um enfarte. Desta vez morreram seis animais.
----Me chamem esse desgraçado que eu quero falar com ele!-- ordenou o coronel.
Trouxeram o infeliz à presença do coronel.
----Ô seu cabra bexiguento de uma figa! Eu te coloco lá pra tomar conta
do meu rebanho e você abandona o seu posto deixando que seis animais
morressem atropelados! Seu cabra safado... incompetente!
O coitado do homem com os olhos esbugalhados e tremendo, ainda,
feito vara verde tentou se justificar.
----Coronel... se o senhor visse o tamanho do bicho que vinha vindo em
minha direção soltando fumaça pelas ventas, prá tudo quanto era lado,
e urrando feito um demônio abestaiado, com certeza teria feito a
mesma coisa. E te digo mais; a minha sorte é que o bicho vinha vindo de
cumprido, por que se ele vem de atravessado tinha era matado eu com
boiada e tudo!
* A MESMA MERDA
A MESMA MERDA
Ivan Ferretti Machado
Os dois compadres encontraram-se, naquela manhã de domingo, ali na vendinha do Seu Anacleto e, após os cumprimentos costumeiros, começaram a bebericar umas cangebrinas e a papear aquelas conversinhas corriqueiras de todos os dias. Prosa vai prosa vem, e de repente, do nada, um dos compadres começa com uma conversa meio sem pé e sem cabeça.
----Sabe... cumpadre Bastião, eu tô aqui pensando cus meus botões um troço meio engraçado!
----Uai cumpadre! Pensando o quê?
----Sabe o que é cumpadre... nóis tá qui cunversando numa boa, sem prercupação nenhuma e... sei lá... de repente te dá um troço e vós mecê morre!
----Vichi cumpadre! Sê tá ficando doido? Vira essa boca prá lá sô!!!
----Não, cumpadre Bastião, é só de cumparação cunquê eu pensei!
----Uai! Mais num tem outra coisa mió pra se pensar não!
----È qui vós mecê num intendeu ainda qui é só de brincadeirinha!
----Ah bom! Se é só brincadeirinha então continua a história!
----Sim... conforme eu tava dizendo... te deu um troço e vós mecê morreu. Ai, então, depois daquela choradeira toda, a gente vai e te enterra. Tá escutando compadre Bastião?
----É lógico que tô! Eu não sou surdo!
----Pois bem! Depois de enterrado, vós mecê, fica ali debaixo da terra apodrecendo e acaba virando adubo pra terra. Certo!
----Certo!
----Ai, então, depois de um certo tempo nasce na sua cova uma grama bem verdinha. E de repente vem uma vaca e come toda a grama da sua cova. Logicamente como tudo que entra tem que sair, numa certa hora a vaca dá uma cagada e solta àquele baita monte no chão. Eu olho para aquilo espantado e comento:
----Nossa cumpadre como o senhor mudou!
O compadre Bastião ouviu toda aquela história pacientemente e no final apenas olhou matreiro, com o canto dos olhos, para o outro compadre e não disse nada. Apenas tirou do bolso, o seu cigarro de palha, acendeu, deu uma tragada e uma guspida pro lado e arrematou:
----Sabe cumpadre Vitalino, dias desse eu pensei a mesma coisinha que o senhor!
----È mesmo cumpadre? Num brinca! E como foi?
----Eu pensei o seguinte: O senhor tá ai bonzinho cunversando e de repente te dá um troço e vós mecê morre. Ai, então, depois daquela choradeira toda, iguarzinho no meu velório, a gente vai e te enterra. Depois o senhor fica ali apodrecendo até virá adubo prá terra, e após algum tempo nasce, também, na sua cova uma grama bem verdinha. Certo?
----Certo!
----Pois bem, ai então, da mesma maneira, aparece uma vaca e come
toda aquela grama que havia nascido na sua cova. E como vós mecê
mesmo havia dito, tudo que entra tem que sair... de repente a vaca dá uma tremenda de uma cagada e solta àquele baita monte no chão. Eu olho para aquilo sem nenhuma surpresa e comento em voz alta:
----Nossa cumpadre!. Vós mecê num mudou nada! Continua a mesma merda!!!
Ivan Ferretti Machado
Os dois compadres encontraram-se, naquela manhã de domingo, ali na vendinha do Seu Anacleto e, após os cumprimentos costumeiros, começaram a bebericar umas cangebrinas e a papear aquelas conversinhas corriqueiras de todos os dias. Prosa vai prosa vem, e de repente, do nada, um dos compadres começa com uma conversa meio sem pé e sem cabeça.
----Sabe... cumpadre Bastião, eu tô aqui pensando cus meus botões um troço meio engraçado!
----Uai cumpadre! Pensando o quê?
----Sabe o que é cumpadre... nóis tá qui cunversando numa boa, sem prercupação nenhuma e... sei lá... de repente te dá um troço e vós mecê morre!
----Vichi cumpadre! Sê tá ficando doido? Vira essa boca prá lá sô!!!
----Não, cumpadre Bastião, é só de cumparação cunquê eu pensei!
----Uai! Mais num tem outra coisa mió pra se pensar não!
----È qui vós mecê num intendeu ainda qui é só de brincadeirinha!
----Ah bom! Se é só brincadeirinha então continua a história!
----Sim... conforme eu tava dizendo... te deu um troço e vós mecê morreu. Ai, então, depois daquela choradeira toda, a gente vai e te enterra. Tá escutando compadre Bastião?
----É lógico que tô! Eu não sou surdo!
----Pois bem! Depois de enterrado, vós mecê, fica ali debaixo da terra apodrecendo e acaba virando adubo pra terra. Certo!
----Certo!
----Ai, então, depois de um certo tempo nasce na sua cova uma grama bem verdinha. E de repente vem uma vaca e come toda a grama da sua cova. Logicamente como tudo que entra tem que sair, numa certa hora a vaca dá uma cagada e solta àquele baita monte no chão. Eu olho para aquilo espantado e comento:
----Nossa cumpadre como o senhor mudou!
O compadre Bastião ouviu toda aquela história pacientemente e no final apenas olhou matreiro, com o canto dos olhos, para o outro compadre e não disse nada. Apenas tirou do bolso, o seu cigarro de palha, acendeu, deu uma tragada e uma guspida pro lado e arrematou:
----Sabe cumpadre Vitalino, dias desse eu pensei a mesma coisinha que o senhor!
----È mesmo cumpadre? Num brinca! E como foi?
----Eu pensei o seguinte: O senhor tá ai bonzinho cunversando e de repente te dá um troço e vós mecê morre. Ai, então, depois daquela choradeira toda, iguarzinho no meu velório, a gente vai e te enterra. Depois o senhor fica ali apodrecendo até virá adubo prá terra, e após algum tempo nasce, também, na sua cova uma grama bem verdinha. Certo?
----Certo!
----Pois bem, ai então, da mesma maneira, aparece uma vaca e come
toda aquela grama que havia nascido na sua cova. E como vós mecê
mesmo havia dito, tudo que entra tem que sair... de repente a vaca dá uma tremenda de uma cagada e solta àquele baita monte no chão. Eu olho para aquilo sem nenhuma surpresa e comento em voz alta:
----Nossa cumpadre!. Vós mecê num mudou nada! Continua a mesma merda!!!
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