Olhar misterioso
Ivan Ferretti Machado
Esse caso quem gostava muito de contar era meu finado pai. Que Deus o tenha em bom lugar.
Aconteceu ali pelos lados de Mococa, interior de São Paulo, na Fazenda Amália. È do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça. O ano deveria ser mais ou menos 1950.
O compadre Zé Gregório vinha vindo da cidade, já com umas cachaça na moringa, altas horas, beirando quase meia-noite. E naquela época as pessoas do interior tinham uma mania danada de ver assombração. Era alma penada, mula sem cabeça, Saci-Pererê, corpo seco, caixão de defunto, lobisomem e mais um montão de coisas que quando se juntavam pra contar varavam a noite. E juravam de pés juntos que era tudo verdade.
Pois bem, a certa altura do caminho, numa estradinha de terra batida, uma escuridão danada, pois naquele tempo, pelo menos ali, não existia ainda luz elétrica, era tudo na base da lamparina, e o compadre Zé Gregório, que por sinal era um baita de um cagão, e morria de medo de assombração, vinha a passos apressados para chegar logo em casa, ali na fazenda Amália.
De repente ele avistou lá longe um par de zóio, parecendo duas brasas que vinham voando em sua direção. E aquilo foi se aproximando e aumentando cada vez mais de tamanho, iluminando tudo a sua volta, deixando, a certa altura, o Compadre Zé Gregório completamente às cegas com aquele clarão que lhe bateu em cheio na cara.
O compadre não pensou duas vezes, desembalou pelo meio do mato, numa carreira doida, arrebentando tudo que era galho que encontrava pela frente. Só parou quando chegou na sede da fazenda, gritando feito um doido, todo mijado e com a cara e braços todo arranhado, resultado da carreira doida que dera pelo meio do mato.
E é lógico, com aquele barulhão todo que fez, acabou acordando todo mundo ali na fazenda, que vieram correndo ver o que estava acontecendo. O coitado do Compadre Zé Gregório mal conseguia falar. A muito custo conseguiu explicar o que havia acontecido.
----Eu vinha vindo ali pela estrada e, quando cheguei perto do açude, dei de cara com um bicho com dois zoião deste tamanho que pareciam duas enormes brasas. O bicho veio pra cima de mim rosnando feito um doido, e se eu não corro pro meio do mato não estaria aqui agora contando esta história.
O compadre Tuniquinho ao ouvir aquilo caiu na gargalhada.
----Larga mão de ser besta cumpadre! Que bicho que nada! O que o senhor viu foi um oitonóvel!
O compadre Zé Gregório retrucou na hora:
----Que oito ou nove... eram só dois zóio!
Coitado do compadre Zé Gregório! Nunca tinha visto um automóvel em toda a sua vida!
Ivan Ferretti Machado
Esse caso quem gostava muito de contar era meu finado pai. Que Deus o tenha em bom lugar.
Aconteceu ali pelos lados de Mococa, interior de São Paulo, na Fazenda Amália. È do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça. O ano deveria ser mais ou menos 1950.
O compadre Zé Gregório vinha vindo da cidade, já com umas cachaça na moringa, altas horas, beirando quase meia-noite. E naquela época as pessoas do interior tinham uma mania danada de ver assombração. Era alma penada, mula sem cabeça, Saci-Pererê, corpo seco, caixão de defunto, lobisomem e mais um montão de coisas que quando se juntavam pra contar varavam a noite. E juravam de pés juntos que era tudo verdade.
Pois bem, a certa altura do caminho, numa estradinha de terra batida, uma escuridão danada, pois naquele tempo, pelo menos ali, não existia ainda luz elétrica, era tudo na base da lamparina, e o compadre Zé Gregório, que por sinal era um baita de um cagão, e morria de medo de assombração, vinha a passos apressados para chegar logo em casa, ali na fazenda Amália.
De repente ele avistou lá longe um par de zóio, parecendo duas brasas que vinham voando em sua direção. E aquilo foi se aproximando e aumentando cada vez mais de tamanho, iluminando tudo a sua volta, deixando, a certa altura, o Compadre Zé Gregório completamente às cegas com aquele clarão que lhe bateu em cheio na cara.
O compadre não pensou duas vezes, desembalou pelo meio do mato, numa carreira doida, arrebentando tudo que era galho que encontrava pela frente. Só parou quando chegou na sede da fazenda, gritando feito um doido, todo mijado e com a cara e braços todo arranhado, resultado da carreira doida que dera pelo meio do mato.
E é lógico, com aquele barulhão todo que fez, acabou acordando todo mundo ali na fazenda, que vieram correndo ver o que estava acontecendo. O coitado do Compadre Zé Gregório mal conseguia falar. A muito custo conseguiu explicar o que havia acontecido.
----Eu vinha vindo ali pela estrada e, quando cheguei perto do açude, dei de cara com um bicho com dois zoião deste tamanho que pareciam duas enormes brasas. O bicho veio pra cima de mim rosnando feito um doido, e se eu não corro pro meio do mato não estaria aqui agora contando esta história.
O compadre Tuniquinho ao ouvir aquilo caiu na gargalhada.
----Larga mão de ser besta cumpadre! Que bicho que nada! O que o senhor viu foi um oitonóvel!
O compadre Zé Gregório retrucou na hora:
----Que oito ou nove... eram só dois zóio!
Coitado do compadre Zé Gregório! Nunca tinha visto um automóvel em toda a sua vida!

Bravos excelente conto, que delicia encontrar teu cantinho, amei isto aqui, agora vou me fartar em seus contos, no que aliás você é mestre, beijos Luconi
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